Algodão
Nos anos 90, em função da crise da indústria têxtil e da cultura do algodão no sul e sudeste do país, as empresas deslocaram seus centros de produção para o Nordeste. Ocorreu a revitalização do setor na região, tanto da produção industrial como da plantação do algodão, com o uso de modernas tecnologias, introdução de novas espécies que produzem fio de qualidade e, em alguns casos, culturas irrigadas. A tradicional produção nordestina, anteriormente inviabilizada, retomou competitividade e produtividade. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e, de forma menos intensa, Pernambuco, oferecem incentivos significativos e vem recebendo um intenso fluxo de investimentos migrando do sul/sudeste do país.
Setor Têxtil
A indústria têxtil alagoana surgiu no sertão no início do século. Há vinte anos o Estado produzia 60 mil toneladas de algodão em caroço, processadas por 15 algodoeiras e seis unidades de fiação e tecelagem, atividades praticamente aniquiladas entre o final dos anos 80 e início dos anos 90.
Após essa fase de acentuado declínio, o setor têxtil do Estado começou a se recuperar com a reativação e modernização de antigas fábricas e instalação de novas empresas contando, principalmente, com grupos empresariais locais, o que indica a relativa falta de interesse de investidores não-alagoanos.
A indústria têxtil em Alagoas beneficia-se do PRODESIN, incentivo local que financia até 75% do ICMS devido ao Estado por prazos de até 10 anos e com carência de dois anos, e da isenção de Imposto de Renda concedida pela SUDENE.
Perspectivas / Oportunidades
Para recuperar o cultivo do algodão, o Governo Federal lançou, em 1995, o Programa de Revitalização da Cultura do Algodão no Nordeste com uma parceria entre os Estados, a Embrapa e o BNB. Em decorrência dos problemas políticos e financeiros do Governo de Alagoas em 1996 e 1997, o Estado integrou-se ao programa de forma menos intensa do que o Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A implantação do Canal do Sertão poderá dar grande impulso a essa cultura em Alagoas, com ganhos de produtividade com a irrigação, tornando-a mais competitiva. A possibilidade de uso de sementes geneticamente alteradas para resistir a pragas oferece perspectivas de melhora.
Atualmente em Alagoas existem poucas indústrias beneficiadoras do algodão em caroço para transformação em pluma, o que deprecia os preços do produto colhido, beneficiado longe das áreas de produção – na Bahia e na Paraíba. A retomada do plantio do algodão em Alagoas enfrenta os problemas específicos do Estado e os que atingem produtores de todo o país; Os prazos de pagamento obtidos pelos importadores de algodão em pluma chegam a um ano, com juros anuais de 7% a 8%. Os agricultores brasileiros não contam com linhas tão generosas.