Fruticultura
Embora seja um dos cinco maiores produtores mundiais de frutas - 43 milhões de toneladas, o Brasil ainda desempenha um papel secundário como exportador - 720 mil toneladas. O problema da conquista de maior mercado consumidor internacional está em seu elevado grau de exigência de qualidade, portanto é necessário o emprego de tecnologia tanto de produção como no momento da colheita e do transporte, dado que são produtos delicados e perecíveis. Segundo a CODEVASF, a demanda nacional pelas frutas de maior importância econômica cultivadas no Nordeste - abacaxi, melão, mamão, manga, uva, melancia e limão - deve aumentarentre o ano 2000 e 2020 gerando um déficit de 1,4 milhão/t, criando espaço para um incremento na atividade.
O setor em Alagoas
O sertão alagoano conta com baixa umidade, luminosidade elevada e calor constante, condições que, associadas à irrigação, beneficiam o cultivo de frutas. Com irrigação, frutas cultivadas no semi-árido podem produzir cerca de 2,5 safras/ano, o que favorece a colocação do produto nos mercados europeu e norte-americano nos períodos de entressafra. A fruticultura irrigada gera, em média, um emprego direto e dois ou três indiretos por hectare cultivado. A fruticultura é praticada principalmente nos tabuleiros costeiros e no agreste, com destaque para abacaxi, banana, caju, coco-da-baía, laranja, mamão, manga, maracujá e pinha. Outras frutas plantadas são a acerola e a graviola.
A industrialização das frutas é realizada por empresas processadoras de suco (Introsuc e Pindorama). Já o coco-da-baía é industrializado por três empresas: Socôco, Indiano e Pindorama.
O setor encontra os seguintes entraves:
a) Pesquisa e assistência técnica insuficiente.
b) Ausência de agroindústrias que assegurem um mercado alternativo para o fruticultor.
c) Pulverização da comercialização, gerando muitas vezes preços pouco remuneradores.
d) Baixa qualidade do produto colhido.
e) Suscetibilidade dos pomares às secas.
O estado apresenta alguns fatores de atração como:
Infra-estrutura:
A distância dos portos e aeroportos da região barateia o frete. A malha rodoviária é ampla, embora necessite de trabalhos de conservação em vários de seus trechos. Portos competitivos como o de Suape, onde há terminais frigorificados, possibilitam a exportação de frutas, hortaliças e flores para todo o mundo. O Estado fica entre dois aeroportos internacionais (Recife e Salvador).
Clima
A insolação anual média alcança perto de 3.000 horas. Já no sertão, o baixo índice pluviométrico reduz bastante a incidência de doenças nos pomares, favorecendo o cultivo de frutas.
Irrigação
Embora sua área irrigada atualmente represente 3% da área cultivada, Alagoas tem potencial para expandir sua rede de irrigação.
Para desenvolver a área irrigada, a Codevasf está desenvolvendo o projeto do Canal do Sertão com o objetivo de aumentar de forma considerável a área irrigada do Estado.
Mão-de-obra
O custo da mão-de-obra empregada nas plantações de frutas chega a ser 72% inferior aos gastos efetuados no Estado de São Paulo e 45% menor que o verificado na agricultura paranaense.
Financiamentos/Incentivo:
Linhas de crédito do BNDES e BNB, para custeio das lavouras e investimentos em maquinário. Existem, ainda, os incentivos sobre o IR, que são a isenção do IR por dez anos, a redução de 50% do imposto devido (no caso de empresas que não estejam se beneficiando no momento do incentivo da isenção) e o reinvestimento de 40% do tributo devido em projetos de modernização.
O governo de Alagoas oferece incentivo sobre o ICMS por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (PRODESIN).
Pindorama:
A Colônia Pindorama, prevê para o período 2003 / 2004, instalar o maior projeto de irrigação do Estado para a fruticultura utilizando sistema de micro aspersão e gotejamento, abrangendo 1.100 hectares. Com a conclusão do projeto, em cada hectare serão gerados dois empregos, o que significa 2.200 a mais para a Colônia.
A Cooperativa já produz derivados do coco, sucos e álcool. Possui uma área de 32 mil hectares entre Penedo, Coruripe e Feliz Deserto, onde vivem atualmente mais de 27 mil pessoas, sendo 1.180 associados cultivando 1.386 lotes de terra com a mais moderna tecnologia, gerando 1.500 empregos diretos em época de safra.
A cooperativa possui uma das maiores áreas cultivadas de Alagoas - 30 mil hectares, com plantações de cana, coco, maracujá, abacaxi, cajú, acerola, entre outros. ,
Perspectivas / Oportunidades
A atividade deve ser vista como de alta prioridade, em decorrência de seus potenciais benefícios econômicos e sociais. A partir do desenvolvimento comercial e em larga escala de frutas, há potencial para diversas atividades relacionadas, como as seguintes:Comercialização/Exportação de frutas in natura, polpas, concentrados e sucos;Frigoríficos para armazenar a produção colhida tanto nas áreas produtoras como em portos e aeroportos.
Frotas de caminhões frigorificados para transporte da produção.
Instalação de indústrias de iogurtes, sorvetes, conservas, compotas, geléias e doces.
Produção de cosméticos, com destaque para os cremes faciais.
Instalação de indústrias de produtos para a saúde, como cápsulas e comprimidos de concentrados de vitaminas.
Plantas medicinais são um filão com demanda crescente no mercado internacional, movimentando cerca de US$ 40 bilhões/ano. Também poderiam ser cultivadas em Alagoas.