Leite
O leite é, em grande parte, um produto de consumo popular, embora seus derivados como queijo e iogurtes, sejam mais seletivos. A partir de 1994, com um dos resultados do Plano Real, a produção nacional passou de 15,7 milhões de litros para cerca de 20 milhões, crescendo 26,8%. Ocorreu também a expansão do mercado do leite tipo A e a queda nos preços do leite longa vida intensificou seu consumo. Por ser um produto bastante perecível, o leite costuma ser consumido na própria região de produção, o que favorece a criação de centros de captação regional para beneficiamento e posterior transporte aos centros de pasteurização. Há dez anos os maiores produtores são: Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.
O setor em Alagoas
O Estado de Alagoas contou no passado com a maior bacia leiteira do Nordeste. Atualmente, produz cerca de 600 mil litros de leite/dia, posicionando-se em quarto lugar no ranking da produção nordestina, logo atrás de Pernambuco, Bahia e Ceará, ficando longe da média nacional.
A Bacia Leiteira alagoana era composta de municípios do sertão: Batalha, Jacaré dos Homens, Major Isidoro e Palmeira dos Índios; Nos últimos anos, os municípios de União dos Palmares, Viçosa, e Chã Preta, passaram a se destacar. Produção de leite: 1980 76 milhões de litros; 1996 240 milhões de litros. Dos 25 mil produtores de leite comercial, 43% captam até 50 litros/dia, são responsáveis por 7% da produção alagoana. Apresentam baixa produtividade, resultante da estagnação tecnológica. Parte importante da produção de leite em Alagoas é exportada para outros estados do Nordeste e também para São Paulo.
Os custos fixos são altos, diminuindo as margens de lucro dos produtores, embora haja espaço para redução dos gastos. O gerenciamento de muitas propriedades na Bacia Leiteira ainda é precário, pois não se trabalha com planilhas de custos e outros instrumentos de controle.
Perfil da Bacia Leiteira:
Fornecedores de leite: 2 mil.
Empregos diretos e indiretos: 25 mil.
Número de municípios da bacia leiteira: 19.
População da bacia leiteira: 300 mil habitantes.
Principais municípios produtores: Batalha, Jacaré dos Homens, Major Isidoro, Palmeira dos Índios, Viçosa, Chã Preta e União dos Palmares.
Principais Laticínios: As cinco maiores empresas de laticínios de Alagoas são responsáveis pela produção de 71,7 milhões de litros de leite.
ILPISA - Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios: 270 postos de trabalho; produção de leite: 3,2 milhões de litros; bebidas não lácteas: 250 mil litros.
BOA SORTE – Única produtora de leite A no Nordeste, com capacidade de produção de 10 mil litros.
CAMILA.
LATICÍNIOS SÃO DOMINGOS.
LATICÍNIOS BATALHA.
Perspectivas / Oportunidades
O produtor alagoano terá que aumentar cada vez mais sua escala de produção para diluir custos. A indústria de laticínios tem papel estratégico na modernização do setor, como ocorreu com as agroindústrias da laranja, do frango e da soja, com potencial para abastecimento do mercado interno e, eventualmente regional, devido às distâncias. Existem alternativas para melhorar a remuneração do criador, como campanhas junto às prefeituras para priorizarem a compra de leite alagoano em detrimento do produto importado. Para reverter o declínio do setor, será necessário a introdução de um sistema de preços que privilegie a qualidade, volume e a aplicação de tecnologia, revertendo a tendência de queda, por exemplo pela retomada do uso de inseminação artificial e melhoria genética. É fundamental, ainda, o emprego de assistência técnica e de tecnologias modernas de produção de leite.
Entende-se que essa atividade tenha potencial para crescer dentro de uma política geral de modernização do setor rural. Não se observa, porém, vantagens específicas capazes de superar as desvantagens de um mercado local relativamente pequeno e da grande distância dos produtores em relação aos maiores centros de consumo do País. O setor é muito importante na cadeia alimentar, além de gerar empregos rurais. Recomenda-se, portanto, que a modernização do segmento leiteiro seja perseguida com políticas de longo prazo. Uma possibilidade é o incentivo à parceria entre produtores de cana e pecuaristas do leite, no sentido de elevar o plantel de gado confinado.